CLASSIFICAÇÃO DE SOJA: PASSO A PASSO

A qualidade dos grãos é muito relevante para a comercialização e processamento dos produtos da soja, sendo necessário haver a classificação e análise destes para assegurar que os padrões de qualidade sejam identificados, enquadrando-os em padrões exigidos pelo consumidor.

               O órgão que regulamenta a classificação vegetal é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, que prevê os padrões oficiais que devem ser verificados mediante análises das amostras da soja. As amostras devem ser representativas do lote de grãos, sendo necessário seguir procedimentos técnicos que assegurem tal representatividade.

               O valor final do produto será afetado pela qualidade que o lote de grãos possui, já que todos são enquadrados em grupos, classes e tipos. O que faz com que o produto seja utilizado em aplicações diversas e vendido com valores diferentes no mercado.

               O Brasil é atualmente o maior produtor de soja do mundo, sendo o principal exportador do produto. Dela derivam-se grãos para alimentação humana, o farelo como ingrediente importantíssimo para nutrição animal e o óleo na produção de bens de consumo para cozinha, medicamentos e biodiesel. Diante disso, entende-se a importância que a correta classificação da soja possui para a comercialização e utilização do produto no Brasil e no mundo.

1.    Recebimento da Carga de Grãos

  • Pesagem da carga de grãos.
    1. Registro dos dados.
      Informe data e horário de chegada, ano da safra, nome do fornecedor, placa do caminhão, nome do motorista, tipo do produto (soja), peso da carga e se é OGM (Organismo Geneticamente Modificado – Transgênico) ou não OGM.
    2. Desenlonamento do caminhão.
    3. Inspeção visual e olfativa da carga.
      Observar se há acidez, azedo, odor estranho, presença de insetos, mofo ou qualquer problema que reprove a carga de grãos.
    4. Teste instantâneo da presença de OGM, caso necessário.
    5. Aprovação ou reprovação da carga para o processo de amostragem.
      Sendo aprovado, inicia-se a processo de amostragem para análises qualitativas mais aprofundadas da carga.

2.    Amostragem Representativa do Lote

  • Amostragem de grãos em caminhões, trens e navios.
    Planejar os pontos específicos de coleta.
  • Coleta da amostra com Coletor Hidráulico, Coletor Pneumático ou Calador Manual.

3.    Homogeneização das Amostras.

Procedimento de tornar a amostra homogênea, que garanta a representatividade do lote de grãos. É uma etapa muito importante para que a amostra seja representativa e de qualidade para posteriores análises.

  1. Procedimento e equipamentos para homogeneização.
    Utiliza-se o homogeneizador, ou o quarteador de amostras, ou ainda o quarteador redutor de amostras tipo cascata, mais 3 a 4 recipientes e sacos plásticos resistentes para 1kg de cada amostra.
  2. Homogeneização.
    Derramar toda a amostra no homogeneizador ou quarteador, repetindo o processo no mínimo três vezes, de forma a ter uma amostra homogênea.
  3. Pesagem dos grãos homogêneos, acondicionamento, lacre e identificação.
    Classificação oficial: 3 a 4 amostras – para o arquivo, interessado, para amostra de trabalho e entidade credenciadora. A quantidade que sobrar no processo deve ser devolvida ao interessado no produto ou realocada no lote de grãos.

4.    Classificação da Impureza dos Grãos

A impureza é todo material vegetal pertencente à cultura que está sendo classificada, como pedaços de sabugos, caules, folhas, hastes, raízes e vagens. Diferente de Matérias estranhas, que são grãos e sementes de outras culturas, insetos, torrões de solo, carvão e todo corpo estranho que não seja o tipo de grão a ser classificado.

  • Determinar a impureza.

Pesar a amostra de trabalho (no mínimo 250 gramas do produto com impurezas).

Despejar a amostra sobre o kit de peneiras, conforme a furação específica para soja (Peneira fundo e furação 3mm redondo). Agitar essa amostra de forma que as impurezas caiam no fundo. As impurezas maiores, que não caíram no fundo devem ser selecionados manualmente e colocados junto com as impurezas do fundo.

Pesar as impurezas.

Calcular o percentual de impurezas e matérias estranhas da amostra:

Exemplificando: Peso da amostra: 250g, peso da impureza: 2,5g.

Regra de 3: 250g__________100% amostra

                               2,50g__________X

                                250 X = 2,50×100

                                250 X = 250

                               X = 250/250

                               X = 1,0% de impureza e matérias estranhas.

  • Determinar a umidade.
    É a quantidade de água livre presente na massa de grãos.
    Despeje a amostra totalmente limpa no determinador de umidade, colocando a quantidade indicada por cada determinador. Inicie o aparelho e registre o percentual de umidade apresentado no aparelho.
  • Análise dos defeitos dos grãos.
    Nessa etapa é feita a avaliação dos danos existentes na massa de grãos, separando os que apresentam grãos avariados e defeitos leves. O peso da amostra a ser utilizada nessa análise é de 50g.
    Utilizando a pinça, separe os grãos, corte-os ao meio, observe e identifique os defeitos e separe-os por tipos de defeitos.
    Verificar a escala de gravidade dos defeitos dos grãos.

Pesar os grãos de cada defeito e registrar, separando-os por grupo de defeitos (graves e leves).

Calcular o percentual de defeitos e enquadrar na tabela específica de cada tipo de produto.

  • Laudo de classificação

Os dados, percentuais de umidade, impureza, matérias estranhas, defeitos, classes e demais informações obrigatórias devem ser preenchidas nos respectivos campos do laudo.

Todos os campos do laudo devem ser preenchidos, deve ser datado, carimbado e assinado pelo classificador, com seu nome e número de registro no MAPA.

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Fonte: Legislação SOJA: IN MAPA N° 11, de 15/05/2007 e IN MAPA N° 37, de 27/07/2007